As Estrategias da Comunicação

Tuesday, January 16, 2007

Aula 8 - Press release

Abaixo encontra-se o link para visualizar o press release.

http://gaiaemlinha.com.sapo.pt/press-release.htm

Aula 7 - Relação entre assesores de imprensa e jornalistas

A assessoria de imprensa é a mais conhecida ferramenta das relações públicas.

O principal objectivo e função de um assessor de imprensa é estabelecer a relação entre o protagonista (entidade que representa) e o jornalista (Comunicação Social).

Por mais incrível que nos pareça, os assessores dificultam a vida dos jornalistas, de tal modo que esta relação chega a tornar-se comovente.

Esta relação é bastante difícil porque os assessores não desempenham legitimamente o seu papel, ou seja manipulam a mensagem, de modo a favorecer a entidade patronal. Os assessores recorrem a todas as estratégias, de modo a manobrar a verdade, eles podem não mentir, mas fazem passar a mensagem por outras palavras e por vezes omitem a realidade da forma que mais lhes convém.

Existem diversos exemplos de manobras de assessores de imprensa de deturparem a verdade, ou procurarem omiti-la e não é para este fim que os jornalistas necessitam deles, a verdade é que o assessor de imprensa deveria auxiliar o trabalho do jornalista e não dificultar, que é o mais usual.

Um triste exemplo é:
“Uma estória triste mas verdadeira…
Um certo e determinado ministro disse em meados de Maio que iria, no prazo de duas semanas, apresentar medidas urgentes para resolver um grave problema.
As duas semanas passaram e um jornalista (que tinha guardado o recorte do anúncio) ligou para saber novidades.
Resposta do assessor de imprensa (até há pouco jornalista): tão cedo não vai haver nada, seguramente nas próximas semanas não iremos revelar nada;
Admirado, o jovem jornalista falou com o seu editor, que – surpreso – lhe pediu um novo contacto com o mesmo assessor – será mesmo assim?
O segundo contacto fez-se mas a resposta foi a mesma.
O jornalista pegou nesses dados, juntou-os aos que já tinha do passado e começou a ouvir reacções dos chamados “parceiros sociais” (todas negativas).
Duas horas depois, o mesmo assessor – assustado com algo que teria chegado ao conhecimento do ministro – telefonou a dizer que as medidas seriam anunciadas até ao fim deste mês. Mas não podia (não sabia?) uma data. E a notícia acabou por não ser feita.
No dia seguinte o ministro, no final de uma cerimónia, anunciou algumas das medidas e 24 horas depois a informação está em vários jornais, entre os quais o Expresso: neste são anunciadas mais medidas e uma data em concreto.

Notas a retirar desta estória:
- o assessor de imprensa ou mentiu ou foi incompetente (porque reafirmou uma informação sem ter disso confirmação - o que não é nada provável);
- o assessor de imprensa não quis dizer a data para não estragar a notícia do Expresso;
- a mentira terá sido uma forma de desmobilizar o jornalista. E conseguiu-o...

Por que é que esta estória vale a pena? Porque mostra (mais uma vez - é um dos temas recorrentes desta página) como a dialéctica jornalística é profundamente instável/precária (o que gera muita incompreensão nos receptores). Se a notícia tivesse sido emitida (no caso da rádio) na hora seguinte à primeira informação, seria a seguir desmentida? Mesmo confirmada duas vezes com a mesma fonte oficial?”


A relação entre assessores de imprensa e jornalistas é tudo, menos saudável, embora muitos dos assessores de imprensa, serem anteriormente jornalistas, já conhecerem o que os media necessitam e sabem como manobrar os jornalistas actuais, e encontramo-nos perante um jogo menos limpo, pois uma vez que já passaram pelo mesmo, poderiam cooperar de modo a que a informação fosse verídica para melhorar a comunicação.

“Na relação com os meios de comunicação social, os assessores de imprensa tiveram um papel duplo e aparentemente contraditório: por um lado foram fontes activas de informação, por outro foram obstáculos ao acesso á informação. Tiveram duas faces na sua atitude relativamente aos jornalistas: deram informação e esforçaram-se por persuadir os jornalistas a cobrir determinados eventos mas também, por vezes, omitiram determinadas informações e faltaram mesmo á verdade, sobretudo quando foi necessário proteger a imagem dos políticos a quem prestavam assessoria”
Do livro: “ Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores”, de Vítor Gonçalves, MinervaCoimbra, 2005, pag 186

Depois de aprofundada a relação de pouca proximidade e veracidade entre assessores de imprensa e jornalistas, qual será a razão de serem os jornalistas os escolhidos para assessores de imprensa das diversas figuras políticas do nosso País e do Mundo…?

“Conscientes da importância da comunicação, nomeadamente da comunicação de massas na sociedade contemporânea, os ministros dos governos de António Guterres recrutaram no mundo da comunicação e em especial entre os jornalistas os profissionais que exerceram o lugar de assessor de imprensa. Entre estes, foram os jornalistas que habitualmente acompanhavam a actividade política, aqueles que mais foram convidados. De quarto poder, os jornalistas passaram a assessores do poder. Haverá múltiplas razões para esta preferência pelos jornalistas no momento de escolher um assessor de imprensa. A necessidade de organizar acontecimentos que suscitem os media, o desejo de melhorar a arte de comunicar, a necessidade de estabelecer contactos permanentes com os meios de comunicação social”
Do livro: “ Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores”, de Vítor Gonçalves, MinervaCoimbra, 2005, pag 184

Wednesday, January 10, 2007

Aula 6 - As Empresas de Relações Públicas em Portugal

Link da Empresa de Relações Públicas: Gaia em Linha

Tuesday, January 09, 2007

Aula 5 - Caso Real

Um simples chinelo de borracha, um enorme sucesso…

O texto de impacto relações públicas que vou desenvolver, é um caso real, o caso de sucesso da “São Paulo Alpargatas”, mais conhecida por “Havaianas”.

As Havaianas são acessórios indispensáveis para o Verão. São práticas para usar na cidade, na piscina e na praia. Combinam com qualquer cor e adaptam-se a qualquer pessoa. No Japão é costume trocar os sapatos por sandálias antes de se entrar em casa, em sinal de respeito e humildade. Foi “Zori”, a sandália Japonesa, a fonte de inspiração para a criação das sandálias havaianas.
A qualidade do produto, a estratégia de marketing e as declarações de pessoas famosas que usam as havaianas, deram notoriedade a esta marca, que produz 5 pares de sandálias por segundo, um total de 105 milhões de pares por ano, ou seja 2,2 biliões de pares de havaianas desde o seu lançamento.

A São Paulo Alpargatas foi fundada a 03 de Abril de 1907, por empresários Escoceses e Ingleses, em sua representação encontrava-se John Shalders e por Robert Fraser, este grupo uniu-se com o objectivo de fundar a primeira empresa Brasileira de alpargatas e calçados, também conhecida por “Sapato Espanhol” pois era feito de lona e sola de corda. Este grupo escolheu a cidade de São Paulo para sede da empresa.

Em 1962, a empresa inova através do lançamento Havaianas, a primeira sandália de borracha 100% nacional, e pioneira na introdução do conceito “Chinelos de dedo, no Brasil. Embora o design das havaianas seja de origem Oriental (sola de palha e tiras de tecido) foi utilizado como matéria-prima borracha para a sola, e PVC para a produção das tiras.

O nome Havaianas foi inspirado no Havai, onde os ricos e famosos iam de férias, sendo o paraíso do sol e do mar. Foi o nome ideal, pois era adequado para usar em países com clima quente evitando a transpiração.

A São Paulo Alpargatas pretendia produzir e comercializar um calçado inovador directamente para a classe média, e divulgou as havaianas como marca de sandália, e não de chinelo, isto porque o significado de chinelo levava o publico a pensar que seria para uma classe mais baixa.

O sucesso do produto e a facilidade de o produzir, levou ao aparecimento de cópias. Com o surgimento de produtos diferenciados, mas da mesma categoria e de qualidade comprovada, as sandálias havaianas, assumem uma posição defensiva e desesperada para manter a sua aceitação no mercado e lançam uma campanha, com o slogan “Legitimas, só havaianas” e “As únicas que não deformam, não têm cheiro e não soltam as tiras”.
Depois desta campanha, a opinião pública modificou, as sandálias ficaram totalmente populares, o preço foi alterado, garantiu as vendas e trouxe uma nova imagem das havaianas.
O novo objectivo era provar que “Todo o mundo usa havaianas”, até mesmo personalidades como: Vera Fisher, Malu Mader, Mauríciu Mattar, Carolina Ferraz, Rodrigo Santoro, Luana Piovani e Déborah Secco.
A nova campanha teve o acompanhamento de novas estratégias de marketing, de modo a modificar a imagem envelhecida e desgastada que ameaçava a liderança das sandálias no mercado brasileiro. O principal objectivo era alcançar um novo posicionamento saindo da qualidade do produto, para a qualidade do consumidor.
Como o único produto das havaianas transformou-se numa opção boa e barata, sobretudo para as classes C D e E, a única estratégia era a criação de um novo produto.

Assim, em 1994 desenvolveu-se uma nova sandália, as “Havaianas Top”com sola e tiras monocromáticos, inspirada na moda inventada pelos surfistas brasileiros, que viravam as palmilhas das havaianas, de modo a ficar a face colorida voltada para cima.

O lançamento do novo produto teve uma enorme aceitação por parte dos consumidores, que a empresa não descansou enquanto não criou outras linhas, de modo agradar a todas as preferências. Mesmo as pessoas que já possuíam sandálias, compraram outros modelos, de modo a coleccionar, para usar em outras ocasiões e até para combinar com a roupa.

Estas estratégias conseguiram reconquistar novamente a credibilidade de todas as classes sociais do Brasil.
Com a liderança de mercado de sandálias, a Alpargatas encerra a década com um número notável de vendas: 100 milhões de pares de havaianas.

Posto isto, a empresa tinha um novo e audacioso plano estratégico, que é o objectivo de exportar, garantindo assim destaque das havaianas em todo o mundo. Com este objectivo cada vez mais determinado, a Alpargatas lança as havaianas para mercados Europeus e Americanos e causa grande aceitação do produto nos mercados externos e grande sucesso de vendas.

Para que as havaianas tivessem êxito em mercados externos, a Alpargatas evitou a publicidade e apostou em iniciativas alternativas. No Havai, patrocina um campeonato de surf e na França faz parcerias com a MTV que lhes garantem exposição a baixo custo.

É fácil encontrar as havaianas nas prateleiras de grandes lojas de nome Mundial como em Nova York, na “Saks Fifth Avenue” e “Bergdorf Goodman” e em Paris na “Galerries Lafayette”.

As havaianas dividem as montras da famosa “Via Spiga” em Milão, com as marcas da Dior e Prada.

São escolhidas por estilistas mundiais para calçar os seus modelos em desfiles de Verão.
Qualquer actriz ou modelo é facilmente encontrada com havaianas nos seus pés, como por exemplo: Júlia Roberts; Sandra Bullock; Nicole Kidman; Naomi Campbell e Kate Moss.

Nem o futebolista David Beckham dispensa a sandália de enfiar no dedo, e há anos que as havaianas também são estrela na cerimónia da entrega dos Óscares de Hollywood.

Os custos das actividades de Relações Públicas são menores do que os da publicidade. Quanto menor for o orçamento do Marketing para investir em promoções da empresa, mais forte é o uso das Relações Públicas para ganhar participação na mente do consumidor.