Aula 7 - Relação entre assesores de imprensa e jornalistas
A assessoria de imprensa é a mais conhecida ferramenta das relações públicas.
O principal objectivo e função de um assessor de imprensa é estabelecer a relação entre o protagonista (entidade que representa) e o jornalista (Comunicação Social).
Por mais incrível que nos pareça, os assessores dificultam a vida dos jornalistas, de tal modo que esta relação chega a tornar-se comovente.
Esta relação é bastante difícil porque os assessores não desempenham legitimamente o seu papel, ou seja manipulam a mensagem, de modo a favorecer a entidade patronal. Os assessores recorrem a todas as estratégias, de modo a manobrar a verdade, eles podem não mentir, mas fazem passar a mensagem por outras palavras e por vezes omitem a realidade da forma que mais lhes convém.
Existem diversos exemplos de manobras de assessores de imprensa de deturparem a verdade, ou procurarem omiti-la e não é para este fim que os jornalistas necessitam deles, a verdade é que o assessor de imprensa deveria auxiliar o trabalho do jornalista e não dificultar, que é o mais usual.
Um triste exemplo é:
“Uma estória triste mas verdadeira…
Um certo e determinado ministro disse em meados de Maio que iria, no prazo de duas semanas, apresentar medidas urgentes para resolver um grave problema.
As duas semanas passaram e um jornalista (que tinha guardado o recorte do anúncio) ligou para saber novidades.
Resposta do assessor de imprensa (até há pouco jornalista): tão cedo não vai haver nada, seguramente nas próximas semanas não iremos revelar nada;
Admirado, o jovem jornalista falou com o seu editor, que – surpreso – lhe pediu um novo contacto com o mesmo assessor – será mesmo assim?
O segundo contacto fez-se mas a resposta foi a mesma.
O jornalista pegou nesses dados, juntou-os aos que já tinha do passado e começou a ouvir reacções dos chamados “parceiros sociais” (todas negativas).
Duas horas depois, o mesmo assessor – assustado com algo que teria chegado ao conhecimento do ministro – telefonou a dizer que as medidas seriam anunciadas até ao fim deste mês. Mas não podia (não sabia?) uma data. E a notícia acabou por não ser feita.
No dia seguinte o ministro, no final de uma cerimónia, anunciou algumas das medidas e 24 horas depois a informação está em vários jornais, entre os quais o Expresso: neste são anunciadas mais medidas e uma data em concreto.
Notas a retirar desta estória:
- o assessor de imprensa ou mentiu ou foi incompetente (porque reafirmou uma informação sem ter disso confirmação - o que não é nada provável);
- o assessor de imprensa não quis dizer a data para não estragar a notícia do Expresso;
- a mentira terá sido uma forma de desmobilizar o jornalista. E conseguiu-o...
Por que é que esta estória vale a pena? Porque mostra (mais uma vez - é um dos temas recorrentes desta página) como a dialéctica jornalística é profundamente instável/precária (o que gera muita incompreensão nos receptores). Se a notícia tivesse sido emitida (no caso da rádio) na hora seguinte à primeira informação, seria a seguir desmentida? Mesmo confirmada duas vezes com a mesma fonte oficial?”
A relação entre assessores de imprensa e jornalistas é tudo, menos saudável, embora muitos dos assessores de imprensa, serem anteriormente jornalistas, já conhecerem o que os media necessitam e sabem como manobrar os jornalistas actuais, e encontramo-nos perante um jogo menos limpo, pois uma vez que já passaram pelo mesmo, poderiam cooperar de modo a que a informação fosse verídica para melhorar a comunicação.
“Na relação com os meios de comunicação social, os assessores de imprensa tiveram um papel duplo e aparentemente contraditório: por um lado foram fontes activas de informação, por outro foram obstáculos ao acesso á informação. Tiveram duas faces na sua atitude relativamente aos jornalistas: deram informação e esforçaram-se por persuadir os jornalistas a cobrir determinados eventos mas também, por vezes, omitiram determinadas informações e faltaram mesmo á verdade, sobretudo quando foi necessário proteger a imagem dos políticos a quem prestavam assessoria”
Do livro: “ Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores”, de Vítor Gonçalves, MinervaCoimbra, 2005, pag 186
Depois de aprofundada a relação de pouca proximidade e veracidade entre assessores de imprensa e jornalistas, qual será a razão de serem os jornalistas os escolhidos para assessores de imprensa das diversas figuras políticas do nosso País e do Mundo…?
“Conscientes da importância da comunicação, nomeadamente da comunicação de massas na sociedade contemporânea, os ministros dos governos de António Guterres recrutaram no mundo da comunicação e em especial entre os jornalistas os profissionais que exerceram o lugar de assessor de imprensa. Entre estes, foram os jornalistas que habitualmente acompanhavam a actividade política, aqueles que mais foram convidados. De quarto poder, os jornalistas passaram a assessores do poder. Haverá múltiplas razões para esta preferência pelos jornalistas no momento de escolher um assessor de imprensa. A necessidade de organizar acontecimentos que suscitem os media, o desejo de melhorar a arte de comunicar, a necessidade de estabelecer contactos permanentes com os meios de comunicação social”
Do livro: “ Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores”, de Vítor Gonçalves, MinervaCoimbra, 2005, pag 184
O principal objectivo e função de um assessor de imprensa é estabelecer a relação entre o protagonista (entidade que representa) e o jornalista (Comunicação Social).
Por mais incrível que nos pareça, os assessores dificultam a vida dos jornalistas, de tal modo que esta relação chega a tornar-se comovente.
Esta relação é bastante difícil porque os assessores não desempenham legitimamente o seu papel, ou seja manipulam a mensagem, de modo a favorecer a entidade patronal. Os assessores recorrem a todas as estratégias, de modo a manobrar a verdade, eles podem não mentir, mas fazem passar a mensagem por outras palavras e por vezes omitem a realidade da forma que mais lhes convém.
Existem diversos exemplos de manobras de assessores de imprensa de deturparem a verdade, ou procurarem omiti-la e não é para este fim que os jornalistas necessitam deles, a verdade é que o assessor de imprensa deveria auxiliar o trabalho do jornalista e não dificultar, que é o mais usual.
Um triste exemplo é:
“Uma estória triste mas verdadeira…
Um certo e determinado ministro disse em meados de Maio que iria, no prazo de duas semanas, apresentar medidas urgentes para resolver um grave problema.
As duas semanas passaram e um jornalista (que tinha guardado o recorte do anúncio) ligou para saber novidades.
Resposta do assessor de imprensa (até há pouco jornalista): tão cedo não vai haver nada, seguramente nas próximas semanas não iremos revelar nada;
Admirado, o jovem jornalista falou com o seu editor, que – surpreso – lhe pediu um novo contacto com o mesmo assessor – será mesmo assim?
O segundo contacto fez-se mas a resposta foi a mesma.
O jornalista pegou nesses dados, juntou-os aos que já tinha do passado e começou a ouvir reacções dos chamados “parceiros sociais” (todas negativas).
Duas horas depois, o mesmo assessor – assustado com algo que teria chegado ao conhecimento do ministro – telefonou a dizer que as medidas seriam anunciadas até ao fim deste mês. Mas não podia (não sabia?) uma data. E a notícia acabou por não ser feita.
No dia seguinte o ministro, no final de uma cerimónia, anunciou algumas das medidas e 24 horas depois a informação está em vários jornais, entre os quais o Expresso: neste são anunciadas mais medidas e uma data em concreto.
Notas a retirar desta estória:
- o assessor de imprensa ou mentiu ou foi incompetente (porque reafirmou uma informação sem ter disso confirmação - o que não é nada provável);
- o assessor de imprensa não quis dizer a data para não estragar a notícia do Expresso;
- a mentira terá sido uma forma de desmobilizar o jornalista. E conseguiu-o...
Por que é que esta estória vale a pena? Porque mostra (mais uma vez - é um dos temas recorrentes desta página) como a dialéctica jornalística é profundamente instável/precária (o que gera muita incompreensão nos receptores). Se a notícia tivesse sido emitida (no caso da rádio) na hora seguinte à primeira informação, seria a seguir desmentida? Mesmo confirmada duas vezes com a mesma fonte oficial?”
A relação entre assessores de imprensa e jornalistas é tudo, menos saudável, embora muitos dos assessores de imprensa, serem anteriormente jornalistas, já conhecerem o que os media necessitam e sabem como manobrar os jornalistas actuais, e encontramo-nos perante um jogo menos limpo, pois uma vez que já passaram pelo mesmo, poderiam cooperar de modo a que a informação fosse verídica para melhorar a comunicação.
“Na relação com os meios de comunicação social, os assessores de imprensa tiveram um papel duplo e aparentemente contraditório: por um lado foram fontes activas de informação, por outro foram obstáculos ao acesso á informação. Tiveram duas faces na sua atitude relativamente aos jornalistas: deram informação e esforçaram-se por persuadir os jornalistas a cobrir determinados eventos mas também, por vezes, omitiram determinadas informações e faltaram mesmo á verdade, sobretudo quando foi necessário proteger a imagem dos políticos a quem prestavam assessoria”
Do livro: “ Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores”, de Vítor Gonçalves, MinervaCoimbra, 2005, pag 186
Depois de aprofundada a relação de pouca proximidade e veracidade entre assessores de imprensa e jornalistas, qual será a razão de serem os jornalistas os escolhidos para assessores de imprensa das diversas figuras políticas do nosso País e do Mundo…?
“Conscientes da importância da comunicação, nomeadamente da comunicação de massas na sociedade contemporânea, os ministros dos governos de António Guterres recrutaram no mundo da comunicação e em especial entre os jornalistas os profissionais que exerceram o lugar de assessor de imprensa. Entre estes, foram os jornalistas que habitualmente acompanhavam a actividade política, aqueles que mais foram convidados. De quarto poder, os jornalistas passaram a assessores do poder. Haverá múltiplas razões para esta preferência pelos jornalistas no momento de escolher um assessor de imprensa. A necessidade de organizar acontecimentos que suscitem os media, o desejo de melhorar a arte de comunicar, a necessidade de estabelecer contactos permanentes com os meios de comunicação social”
Do livro: “ Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores”, de Vítor Gonçalves, MinervaCoimbra, 2005, pag 184


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