As Estrategias da Comunicação

Monday, May 14, 2007

Aula 10 - O vai e vem dos assessores

Na hora de escolher, porque se recruta jornalistas para assessores de imprensa?

“Conscientes da importância da comunicação, nomeadamente da comunicação de massas na sociedade contemporânea, os ministros dos governos de António Guterres recrutaram do mundo da comunicação e em especial entre os jornalistas os profissionais que exerceram o lugar de assessor de imprensa. Entre eles, foram os jornalistas que habitualmente acompanhavam a actividade politica, aqueles que mais foram convidados. De quarto poder, os jornalistas passaram a assessores do poder.
Haverá múltiplas razões para esta preferência pelos jornalistas no momento de escolher um assessor de imprensa. A necessidade de organizar acontecimentos que suscitem o interesse dos média, o desejo de melhorar a arte de comunicar, a necessidade de estabelecer contactos permanentes com os meios de comunicação social são alguns dos factores que conduziram à escolha dos jornalistas. Por outro lado, e na medida em que em que uma das principais missões dos assessores de imprensa é estabelecerem a ligação com os jornalistas, ao optarem por profissionais desta área, os políticos procuravam que estes trouxessem os seus contactos, o seu conhecimento das regras de funcionamento das redacções, tornando mais fácil o exercício dessa missão.”A experiência no jornalismo pode dar a capacidade, o instinto para poder ver o lado noticioso de qualquer informação”. Estas razões poderão justificar, em grande medida, a opção pelos profissionais da comunicação social, aqueles que, em princípio, melhor conhecem o meio.”
Do livro: “ Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores”, de Vítor Gonçalves, MinervaCoimbra, 2005, pag 184

Mas será isto ético?

Neste momento em Portugal ainda se assiste ao vai e vem dos assessores. Um jornalista pode andar a saltar numa e noutra profissão sem que nada lhe aconteça. O jornalista quando aceita a proposta de ser assessor, apenas não pode exercer as duas profissões em simultâneo e tem que entregar a sua carteira profissional na Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.
Ou seja, quando se cansar da assessoria pode, sem restrições, voltar a exercer jornalismo e reaver a sua carteira profissional. Um exemplo Português.

Na Assembleia da Republica, encontra-se a ser revisto o Estatuto do Jornalista, em que a nova proposta de alteração prevê um período de quarentena, em que devido á incompatibilidade, o jornalista é impedido de exercer a sua actividade por um período de 6 meses.

Mas, 6 meses não será pouco tempo para tanta falta de moralidade?

Sim, na minha opinião é pouco tempo. Concordo com Rui Cádima quando diz que o ideal seria mesmo que a lei desmotivasse o retorno á profissão de jornalista.
Na vida têm que se tomar opções, e quem opta por ser assessor, deveria deixar para sempre o jornalismo, sem esperar sequer á possível revisão do estatuto. Um exemplo de um jornalista que optou por ser assessor de imprensa.

Na opinião de Julio Magalhães: Muitos até transformam-se em assessores de imprensa. Não critico que o façam, mas considero que é um verdadeiro escândalo o facto de, depois, voltarem ao Jornalismo. Quem opta por ser assessor deve abandonar de vez a profissão de jornalista. Infelizmente, não é nada disso o que acontece.

Assessor de imprensa de Carolina Salgado, também é jornalista do "Correio da Manhã".

Mais um caso de vai e vem

0 Comments:

Post a Comment

<< Home