Aula 16 - Conversa com Custódio Oliveira
Um pseudo-acontecimento não passa de construir uma realidade falsa, de modo a que os meios de comunicação façam dela uma boa noticia, embora muitas das vezes nem saibam até que ponto é verdadeira ou construída e se são ou não persuadidos.
O conceito de pseudo-acontecimento ou (pseudo-event) foi criado por Daniel Boorstin.
Fernando Gomes um dia é entrevistado na rua por um jornalista do jornal “Público”, e cai no erro de dizer que não queria uma cidade de “carneirinhos”. Estas palavras caíram mal e a Câmara continua cada vez mais envolta em polémica.
Era necessário desviar as atenções e retirar a ideia da “cidade do cimento” – plano de comunicação de crise.
A estratégia passou por:
- O Presidente deixou de falar na obra, o assunto relativo ao shopping era da responsabilidade do Vereador do Urbanismo.
- Fernando Gomes decidiu apostar no Parque da Cidade. O Parque da Cidade inicialmente planeado com condomínios de luxo, uma avenida e uma auto-estrada que passaria ao meio do parque, ou seja, de espaço verde haveria pouco.
Todos estes planos para o Parque da Cidade foram colocados de lado, e depois de várias reuniões com arquitectos decidiu-se a elaboração de um novo projecto.
O Parque da Cidade seria até ao mar, sem construções, sem avenidas, o que o tornaria no maior Parque da Europa com frente marítima.
Houve muitos planos de comunicação, entre os quais foram alugados helicópteros e convidados jornalistas a sobrevoar a zona do Parque da Cidade para lhes mostrar o verde do Parque e o novo projecto.
A opinião pública e os meios de comunicação social deixaram de falar na falta de licenciamento do shopping e na “Cidade do Cimento” de Fernando Gomes, e passou a ser ordem do dia o assunto do plano do Parque, quando tudo não passou de um pseudo-acontecimento inserido numa estratégia de comunicação criado somente para desviar as atenções.


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