As Estrategias da Comunicação

Monday, May 14, 2007

Aula 9 - Comunicação e a gestão de crises

A comunicação de crise é uma das disciplinas das relações públicas.

Perante uma crise devemos: enfrentá-la com sinceridade.

Mentir e desviar as atenções nunca é o melhor caminho, pois a verdade pode e é quase sempre descoberta, e é grande o choque quando se mente, e maior ainda se o caso tiver grande cobertura mediática.

Deve-se então enfrentar, assumir e reconhecer o caso.

Um caso de grande impacto é o dos atentados de 11 de Março em Madrid e é um bom exemplo de comunicação de crise, a meu entender, uma má comunicação de crise.

No dia 11 de Março de 2004 (quinta-feira), Espanha assistiu ao maior acto terrorista da sua história.
Em Madrid, na estação de Atocha, explodiram quatro comboios, em quatro pontos da capital de Espanha.

Os atentados fizeram um total de 192 mortos e de cerca de 2000 feridos.

As eleições legislativas em Espanha estavam marcadas para domingo dia 14 de Março, e as sondagens davam vantagem ao PP, partido do então primeiro-ministro José Maria Aznar.

Perante esta situação, Aznar não teve problemas em admitir a hipótese de ter sido a ETA, a responsável pelos atentados, argumentando o facto de os explosivos usados neste atentado serem normalmente utilizados pela ETA.

Segundo Aznar, “os terroristas não só pretendiam causar vítimas, mas também alterar o resultado das eleições” e que os “ataques não andam em desertos remotos ou em montanhas longínquas”

Com as eleições “à porta” e com Aznar a liderar as sondagens, nada convinha saber-se se foi a al-quaeda a responsável pelos atentados. Aznar condenou a ETA pelas explosões.

De salientar que Aznar esteve presente na Cimeira dos Açores, prestou apoio a George Bush na ofensiva contra o Iraque e enviou um contingente militar, mesmo tendo a opinião pública contra a sua acção, pois os Espanhóis estavam contra o envolvimento dos seus tropas directamente na guerra do Iraque.

Depois dos atentados e a poucas horas das eleições, Aznar continua a explicar a autoria dos atentados da mesma forma, contudo e através da comunicação social levantavam-se suspeitas de que Aznar estava enganado e que a autoria dos atentados eram de extremistas islâmicos.

E mais tarde confirmou-se. As provas apontaram neste sentido:

- Um grupo próximo da Al-Qaeda, as Brigadas de Abu Hafs Al Masri, reivindicou o atentado em nome da Al-Qaeda.
- Os atentados têm características em comum com outros atentados da Al-Qaeda.
- Na tarde do dia 11 de Março foi encontrada, na região de Madrid, uma cassete com orações em árabe numa carrinha com detonadores.
- Na noite de 11 de Março foi divulgada a suspeita de que um bombista suicida seguia a bordo de um dos comboios.
- Uns minutos antes das 19:00 de 12 de Março, num telefonema feito para a redacção do diário GARA, a ETA negou a autoria dos atentados. A frase exacta foi: “A organização ETA não tem nenhuma responsabilidade sobre os atentados de ontem.”

Aznar falhou, mentiu e o povo Espanhol não lhe perdoou as acusações feitas.

Domingo o povo foi ás urnas e votou no PSOE, partido de Zapatero dando-lhe a vitória.

Acerca do 11 de Março de 2004 em Espanha:

Perguntas a propósito do 11 de Março



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